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20 dezembro 2018

Os que gostam de desfazer

Entre o branco manchado de cor-de-rosa pálido (ou millennial, como é chique dizer-se) e o cor-de-vinho retinto, há rússulas de todos os tons, no perímetro da barragem da Falperra, acima de Vila Pouca. E são aos montes, crescem em grupos, atroprelando-se, partindo-se, esmagando-se umas às outras, desafiando os crentes na harmonia, na bondade e noutras coisas elevadas que atribuímos à natureza. Mas na maior parte das vezes que as encontro nesse lastimoso estado (às rússulas e a muitos cogumelos não comestíveis ou de edibilidade desconhecida dos passantes), os estragos têm pé humano. Se não os comem, se não os usam para fins decorativos, por que razão os destroem? Por desporto, visto que é ao pontapé que fazem o serviço? Por desfastio? «Estou chateado, vou ao monte esmagar uns míscaros, a ver se me passa»... Para que ninguém os apanhe, porque podem ser venenosos? Aqui ainda poderia vislumbrar alguma razão plausível, mas as maiores vítimas encontram-se entre as rússulas e as Amanitas muscarias, os cogumelos mais fáceis de identificar pelas cores exuberantes com que se apresentam à humanal estupidez. Caso para dizer que a cor deles não engana. Ou deverei dizer «Gosto de desfazer o que é bonito»?

Estes gestos pequenos, de mal menor, mas quotidiano, gratuito e persistente rasgam-me sempre o ténue tecido de confiança na humanidade.

E agora reparo que o post vai sair um pouco azedo para a quadra natalícia. Paciência, contrapõe-se ao excesso de açúcar que quase todos vamos consumir.

06 outubro 2018

Primavera no Outono

Esta composição parece primaveril pela frescura das flores, mas foi feita hoje de manhã, andadas já quase duas semanas no Outono do calendário. Os materiais foram todos colhidos no parque florestal que não tardará a ficar com o arvoredo caducifólio vestido de gala. Aproveitem essa temporada mágica que se aproxima.

26 setembro 2018

Do início do Verão

O prometido é devido, o anunciado deve ser publicado. Adiantei que tinha mais de duas centenas de composições por despachar. É uma quantidade que já dá um comboio carregado. Faltou informar que partirão de todas as estações. Esta é do início do Verão que, recordo, arrancou bem beneficiado de chuva e humidade, cujos frutos colhidos no recinto da Albufeira do Azibo aqui se exibem.

25 setembro 2018

Anseio

Para aqueles que, como eu, nesta canícula extemporânea, anseiam por verde:musgos verdes, prados de erva suculenta, relva fresca. Verde!

23 setembro 2018

Boas entradas

E está inaugurada a estação, para muitos a mais bonita, para mim a mais docemente melancólica, com perdão para a redundância entre advérbio e adjectivo. Isto não que dizer que a partir de hoje só publicarei fotografias de composições outonais, no ser e no parecer. Tenho de despachar as mais de 200 que ainda tenho em arquivo...

23 julho 2018

Uma tábua achada

Sair cedo para a montanha é sempre bom, mas no verão tem o supremo prazer da frescura da vegetação orvalhada. Hoje já o sol se tinha erguido há 1 hora quando encontrei esta tábua, bem batida pelos destemperos do tempo, junto de um monte delas, mais estreitas. Não foi preciso andar 2 metros para encontrar os fungos que estão no centro. Como tudo isto se passou debaixo de uma cerejeira, bastou puxar umas pernadas para colher os frutos. As flores amarelas estavam a 10 metros, numa planta tão carregada delas que parecia um enorme candelabro. Os fetos estavam onde costumam estar, por ali, à mão de colher. Há horas assim, felizes.

08 maio 2018

Arranjos e arranjinhos

E para contrastar com delicadezas e outras finezas, aqui vai uma composição que deve créditos ao Brutalismo, apesar das tentativas de disfarce com aquele ar mais arranjadinho no centro.

Se esta receita simples de tentativa de estética compensadora desse para pagar todas as dívidas, acabar-se-ia a Maria Natura, porque a sua criadora concentraria atenções exclusivas em actividades mais rentáveis... Enquanto os deuses das combinações surpreendentes e das soluções miraculosas não se decidirem a democratizar o segredo dos arranjinhos («Arranjinhos For All»), continuará Maria Natura a tentar combinar terra e mar, com cogumelos, conchas inteiras e fragmentos delas, driftwood, como na composição presente.

02 abril 2018

Narcisos

Os narcisos silvestres são das primeiras flores primaveris a despontar. E que bem ficam no terreno, no espaço exíguo entre duas pedras, num recanto insuspeito, quase no meio dos caminhos, encarrapitados pelos muros. Aqui deitei-os sobre um pedaço de madeira restante de uma travessa da linha do Corgo. Os cogumelos também são de lá, lugar donde nunca regressei de mãos vazias.

01 abril 2018

Boa Páscoa

Estes dois cogumelos grandes usados numa composição já aqui publicada e que têm o nome de Pleurotus ostreatus são dos que mais me encantam por terem forma de leque e me lembrarem corais. Aqui reuni-os com o fungo igualmente coralino, em forma de gaiola, mas desfeito, o Clathrus ruber. Os dois pedaços de madeira carcomida pelo mar (driftwood, em inglês) são recolhas da minha actividade recente de beach comber. O narciso amarelo serve de apontamento pascoal.