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22 janeiro 2019

Folhas vermelhas em Janeiro

Dar folhas vermelhas na segunda quinzena de Janeiro não é para qualquer árvore. É para uma que há no Parque Termal das Pedras Salgadas, cujo nome, lamentavelmente, desconheço. Fiz esta composição com o sol já bem baixo, mas não podia desperdiçar dádivas tão coloridas e variadas.

22 novembro 2018

Diospireiros e medronheiros

A Linha do Corgo está cheia de cogumelos, mas, nesta altura do ano, nisso não é distinta de muitos outros lugares. O que a distingue é ter ainda figos e um magnífico exemplar dessa extravagância da natureza que são os diospireiros quando ficam carecas de folhas e cobertos de frutos que à luz parecem bolas de ouro. E já que me meti no ramal da garridice botânica, cabe puxar para aqui os medronheiros, que esses estão carregados, simultaneamente, de frutos em diferentes fases de maturação e de flores, de cuja abundância e esplendor me servi para a moldura inferior desta composição.

10 julho 2018

Rebentos de carvalho

Os carvalhos são árvores admiráveis. Talvez por isso sejam das poucas árvores usadas para sublinhar as virtudes humanas de resistência física, psicológica e moral. Mas é curioso verificar que com esta finalidade não se usa a palavra comum, mas «roble». Talvez por «carvalho» parecer plebeu, de tão vulgar e «roble» ser tão evidentemente nobre.

O que aqui quero referir é a cor magnífica dos rebentos tenros de uma espécie de carvalho que usei nesta composição, feita na Primavera. Entre o vermelho e o rosa purpúreo, estas folhinhas em broto já parecem flores.

11 junho 2018

Madeira de cedro

Esta composição foi feita em meados de Dezembro de 2017, a seguir aos primeiros ventos de Inverno que fizeram vítimas entre as árvores. No dia seguinte à tempestade encontrei este tronco de cedro (falso cedro, ao que parece), cortado no próprio dia. Sinceramente, fiquei com a impressão de que a árvore não tinha sido partida pelo vento, mas que alguém passou munido de moto-serra em caminho do ou para o corte tolerado de árvores total ou parcialmente tombadas e que aproveitou a onda para ficar com um belo quinhão de madeira bonita e olorosa em casa, à borlix.

26 abril 2018

Medronheiro em folha

As incursões na natureza têm-me levado a apreciar espécies a que fui quase indiferente durante anos. O ciclo anual do medronheiro tem fases que merecem atenção. No Outono/Inverno são os frutos com aquelas cores maravilhosas; em Dezembro dá flor, um belo pequeno cacho de sininhos brancos; agora, com os frutos já a despontar, as folhas caídas há algum tempo exibem estes padrões. Gosto tanto delas que tenho de me controlar para não as incluir mais nas composições. Aqui casei-as, em regime de separação de espaço, com os rebentos desta flor que encontro em grandes colónias na linha do Corgo e num carvalhal no Marão. Alguém sabe de que espécie se trata? Parece uma orquídea, mas não arranjo modo de o confirmar.

05 abril 2018

Árvores floridas

Andar pelas ruas da cidade e pelos montes e vales e deparar com uma árvore florida é das coisas boas que a Primavera oferece.

Nesta composição usei um raminho para aliviar as cores escuras dos cogumelos e do fundo. Ah, e cá está outra vez a estrela-do-mar oferecida pela amiga Lina Sampaio.

03 março 2018

Outro tronco

Vai um troncozinho recheado para o fim-de-semana?

O tronco lá está, no campus da UTAD, a fornecer nutrientes à vida que se vai instalando nele e à volta dele. Aqui fez de fundo à composição num dia chuvoso como o de hoje. Tanto me espantam como me interrogam estes troncos decadentes, pela utilidade que têm, mesmo quando reduzidos a restos mortais. Creio que haverá poucos seres vivos com fim mais digno do que o das árvores.

05 fevereiro 2018

Folha de ácer

Uma saída bem sucedida é aquela em que levo as mãos vazias, apanho cogumelos e acessórios bem perto do cenário da composição. Não acontece muito, sobretudo porque reutilizo os cogumelos, tendo de andar com eles de um lado para o outro.

Neste caso aconteceu encontrar esta folha de ácer ainda reconhecível como tal, mas já devorada por algum fungo que a deixou quase transparente. Tenho encontrado outras folhas assim e confesso que foi esta actividade que me despertou para essas obras de filigrana da natureza, como hei-de mostrar em composições vindouras.

Achada a folha, tratei de arranjar alguma coisa que rimasse com ela e calhou de encontrar um generoso pedaço de casca de bétula que logo escandi para que a sua métrica não disparatasse demasiado em relação à folha e que ficasse maneirinha dentro do círculo imperfeito do tronco.

Dito assim, parece que submeto as composições à rigidez de um soneto ou outra forma fixa. É verdade que sofro da tentação da simetria, mas corrijo-a quase sempre, às vezes deslocando só uma peça, outras vezes desarranjando um bom segmento, mais raramente desfazendo tudo para refazer. É que quando a imagem começa a parecer feita a régua e esquadro, sinto um calafrio... porque me lembro da estética dos regimes totalitários. Felizmente, não corro o risco da simetria pura e dura porque os materiais que uso escapam, pelo menos a olho nu, a esses rigores inventados pelos humanos para imporem a outros. Madre Natura me livre de tal tortura!

03 fevereiro 2018

Eucaliptos I

As tragédias do passado ano florestal tiveram no eucalipto um culpado de peso e medida. Uma febre repentina — e efémera — queimou o papel de outros culpados. Agora, parece que se o ardor contra os eucaliptos não se apagou, arrefeceu muito. Mas houve gente daquela espécie rara que faz coincidir a prática com a teoria. Espero que sigam no caminho da coerência e que bem perto dos restos mortais dos eucaliptos, como este magnífico tronco, plantem as tais espécies autóctones, menos combustíveis.

E porque me custa que as árvores sejam amaldiçoadas sem relativização, hei-de voltar a esta.

14 janeiro 2018

Folhas velhas de castanheiro

Quando não as matam os machados e as serras eléctricas dos humanos, nem a força do vento nem o peso da neve, as árvores morrem de pé e assim ficam durante muito tempo, cadáveres a servir a vida, oferecendo os troncos a pássaros, insectos, líquenes e fungos. Também as folhas continuam úteis bastante tempo para além da morte delas. E mesmo decrépitas, esburacadas, reduzidas a películas transparentes, povoadas de microfungos ainda são apresentáveis em composições decorativas. Foi o que pensei ao escolher estas de castanheiro na manta folhosa, consciente de que reforçariam o parentesco da composição com a arte povera.

13 janeiro 2018

O liquidâmbar

Há demasiados humanos a tratarem muito mal as árvores, mas há também os que as adoram. Entre estes esteve, certamente, quem as nomeou. Já aqui referi a glória do nome «Gingko biloba», agora é a vez do liquidâmbar. Que sílabas, que surpreendente justaposição de «líquido» a «âmbar»! É, sem dúvida, uma responsável de peso na beleza dos nossos outonos.

Enquanto as houve, as folhas desta árvore eram presença quase constante na cesta de acessórios, mas não foi fácil utilizá-las. Foram bastantes as composições que fiz e desfiz, sem as refazer, em que tentava incluí-las. Eram como James Dean, Marilyn Monroe, Gérard Depardieu: imediatamente, roubavam a cena aos actores principais.

Nesta composição, parece-me que os cogumelos sobreviveram ao apagamento das folhas exuberantes e que conseguiram o papel de co-protagonistas. Mas olhando-a de longe, esta percepção começa a vacilar...

04 janeiro 2018

Ginkgo biloba I

Esta composição não tem nenhum cogumelo assinalável, se descontarmos o figurão que fazem os Amanitas muscaria sempre que aparecem. Mas tem folhas dessa árvore de nome fantástico, o Ginkgo biloba. Verdes ou amarelecidas pelo Outono, têm uma delicadeza e elegância de bailarinas ou de certos rituais do Oriente, longitude donde provém. Como se não bastasse possuir estas folhas em leque e um nome extravagante, o Gingko é bom e interessante, literária e historicamente. Parece que é bom para a saúde pelas virtudes terapêuticas, embora sobre isto ainda corra discussão científica, é tão antigo que é considerado um fóssil vivo, já foi considerado extinto, mas afinal ainda existia algures na China, conseguiu renascer após os bombardeamentos atómicos no Japão, serviu de motivo poético ao grande Goethe. Não é todos os dias nem em qualquer canto que aparece um ser vivo que conte feitos tão insignes, senhor Ginkgo! Em tempos de campanhas de replantação do país — ou já acabaram?... — seria boa ideia espalhar umas quantas pelos jardins e parques públicos, ou só podem ser espécies autóctones?

03 dezembro 2017

Elegia

As pobres árvores têm muitos inimigos, que as cortam e queimam pelas mais peregrinas razões. Esta verdadeira «sanha arboricida», sobre a qual escreveu João Araújo Correia, tem adeptos nas cidades e nas serras. Naquelas, o arranque dos troncos disfarça a matança, a subsequente sepultura de cimento garante o esquecimento rápido da sombra e da beleza que enriqueceram o lugar; nas montanhas,deixam-lhe um cepo de altura variável entre uma mão travessa e a perna até ao joelho. Se estivessem dispersos, não seria tão aflitivo; como são muitos e juntos, lembram os cotos dos amputados e é inevitável aquele lamento íntimo pelas mutilações e mortes dispensáveis. Usá-los como base de apoio a algumas composições é a minha elegia possível.

14 novembro 2017

Árvores

Mood: árvores. Em bosques, em renques, isoladas. Longe dos apetites modernóides de acabar com elas sob pretextos pseudoválidos.

12 novembro 2017

Respeitinho

Com os cogumelos acontece muitas vezes isto: no momento em que decidimos abandonar um lugar onde não encontramos nada, eis que... tchããã... vislumbramos um, dois, ou até mais! Foi o que aconteceu hoje. Depois de constatar que afinal ali não encontraria nada porque estava tudo seco, porque era uma zona tão quente que até havia cactos Opuntia (os generosos fornecedores dos figos que se vêem na foto), o meu companheiro de andanças fúngicas anunciou a descoberta. Contra a opinião dele, a mim, parece-me um Phaeolus schweinitzii. E havia dois! Deixámo-los ambos, porque sendo tão grandes, ficamos com a impressão de que possuem personalidade jurídica...